Procura por docinhos decorados sobe 40% no Natal

ada como uma mesa toda enfeitada e repleta de doces e guloseimas de dar água na boca na hora de desejar um feliz Natal. Em São Paulo, empresas do setor de alimentação preparam panetones recheados, bolachas temáticas e docinhos decorados com motivos natalinos. E o negócio é lucrativo: no final do ano, a procura aumenta 40%.

A espera pelo Papai Noel é tão aguardada quanto as sobremesas que compõem a ceia de Natal. Bolos e guloseimas combinam com o clima encantado e de magia da noite de Natal.

E no mercado de doces, é um segmento com pouca concorrência: o das bolachas decoradas. São biscoitos de farinha de trigo enfeitados artesanalmente com glacê. No Natal, a procura pelas bolachas cresce 40%. A fábrica da empresária Fernanda Ribeiro faz turno extra para atender todos os pedidos.

“Como a gente fazia isso para dar de presente para os amigos, eu comecei a perceber que tinha um nicho de mercado muito bom, que as pessoas gostavam do produto e queriam mais, então elas passaram a encomendar e aí virou um negócio”, afirma.

A empresária começou com R$ 60 mil, há 10 anos. Nesta época, os biscoitos de Natal dominam a cozinha. Os mais vendidos são Papais Noéis, bonecos de neve e árvores de Natal. 

Para fazer os biscoitos, a massa é cortada com moldes de alumínio. Os doces são decorados um a um, com glacê de açúcar misturado com corantes. 

O biscoito precisa ir ao forno várias vezes, uma para cada cor de glacê. Para o Papai Noel, por exemplo, são três fornadas. Uma para a roupa vermelha, outra para a barba branca, e outra para os botões pretos da blusa.  Total de duas horas assando.

A empresa vende os biscoitos em uma loja na frente da fábrica. E eles fazem o maior sucesso entre adultos e crianças.  Fernanda já fez mais de mil modelos de biscoitos. Eles podem ser personalizados para empresas, que respondem por 30% das vendas.

Os biscoitos têm de 7 a 10 centímetros, e custam, em média, R$ 4. O faturamento da empresa é de R$ 40 mil por mês. No Natal ela quer dobrar a produção. “A gente tem uma expectativa de vender 80 mil bolachas, mas não quer perder essa característica artesanal, de ter o cuidado de fazer uma bolacha para cada pessoa”, diz a empresária.

Em outra empresa, pequenas e saborosas obras de arte se destacam. São macarrons, bolos, chocolates e panetones de Natal. A empresária Nina Veloso investiu R$ 50 mil numa cozinha industrial. Ela fabrica doces para empresas, sob encomenda. Criatividade na decoração é a marca dos produtos.

Outro produto que faz sucesso no Natal são os macarrons - docinho clássico francês, feito em duas metades, com recheios como o doce de leite e creme de chocolate. Custam R$ 2,80 a unidade. São os produtos mais caros e que dão mais lucro. O panetone recheado de brigadeiro, coberto com pasta americana e decorado com estrelinhas branca e prata é vendido por R$ 78. A matéria-prima, porém, custa R$ 20. No Natal saem mais de 400 unidades.

Em 2010, a empresária Nina abriu loja na frente da fábrica onde vende os doces. O novo negócio aumentou em 30% o faturamento da empresa que hoje é de R$ 95 mil por mês.

Tiago Mello, que compra no local, se encantou com o panetone. “Ah, é porque é um panetone diferente, né? A tradição do Natal com sabor diferente, jeito diferente de fazer o panetone”, diz.

No mês de Natal, a empresa faz mais de 50 mil doces. A mesa com os doces de Natal serve de showroom, e encanta olhos e paladares dos consumidores. A mesa, com doces para 50 pessoas, custa R$ 650.

“O doce é uma coisa que as pessoas comem o ano inteiro, se reúnem, tem essa questão da fascinação, comem com os olhos, é um momento de reunião, celebração”, diz a empresária Nina Veloso.

E quem passa pela Avenida Paulista já sente um cheirinho adocicado no ar. Biscoitos, pirulitos e o trenó do Papai Noel enfeitam a fachada de um shopping. Duas promotoras fantasiadas fisgam os clientes, distribuindo cupcakes e pirulitos. Com essa iniciativa, o shopping espera aumentar em quase 20% o movimento neste Natal.

São 2 mil docinhos por dia, para estimular as compras. “Olha, depois de pegar um docinho, fazer as compras vai estar muito mais doce”, diz a consumidora Leticia Favero.

À noite, 500 metros quadrados de luzes na fachada do shopping dão brilho maior à chegada do Natal. Os doces seduzem os clientes e os negócios. Encantam a festa e adoçam todos na hora de desejar um feliz Natal.